Como um croquete e bebo uma cerveja,
enquanto observo a impaciência da carne e do néon.
Aqui, na Rua da Prata,
onde outrora houve banhos romanos,
há putas na rua de corpos seminus e de olhares amargos.
Dizem: Queres que dance para ti?
e tu respondes: rasteja, rebola, estica, espeta;
há olhos baços que se prendem a desenhos de coxas torneadas,
a nádegas empinadas em cima de saltos altos,
a peitos cheios e firmes, desnudados em focos de luz,
e a ancas serpenteantes e a olhares que fuzilam.
O perfume destas mulheres embriaga,
mistura-se no sangue com o álcool que ferve nas veias
e com a cocaína que explode no cérebro.
Eles desejam um segundo de suor
Eles desejam um minuto de carne
Eles desejam mãos que descobrem prepúcios
e lábios e bocas cingidas em volta de pénis
A respiração sustém-se na promessa de uma mentira
porque a voracidade do corpo é ensurdecedora.
Elas cavam os dedos nas feridas e no oiro
Elas cavam os dedos nas feridas e no oiro
De madrugada os bordéis estão vazios.
Elas têm ovos cozidos na boca e dão puns;
a maquilhagem borra a pele engelhada,
e na claridade fina da manhã já nenhum homem as quer.
Saúl Villalobos
Saturday, October 14, 2006
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