Wednesday, October 18, 2006

Há qualquer coisa de intangível na noite que busca os poetas

Há qualquer coisa de intangível na noite que busca os poetas,
no eterno urdir do real entre os fios de chuva.

Esses teus dedos nojentos apertam-me no cair da noite, como?
Se eu já te esmaguei na palma da minha mão,
de onde sais tu agora, sombra do destino?
Sempre a atormentar-me os sonhos,
pronta nos lábios da selva,
neste tango descompassado.

Os pobres nunca encontram trabalho

(o trabalho é que os encontra a eles)
Perdidos no rilhar da noite,
as veias apertadas de gordura e de querosene,
feridos na sombra da cidade.

(os poetas vivem sozinhos no espaço entre o eu e o nós.)

E este teu tango argentino,
que suplica sempre,
infinito, no comer da noite.


Saúl Villalobos

1 comment:

Dinis Lapa said...

Talvez essa coisa de intangível é essa eternidade falsa que é o amor, por algo, por alguém.