Há qualquer coisa de intangível na noite que busca os poetas,
no eterno urdir do real entre os fios de chuva.
Esses teus dedos nojentos apertam-me no cair da noite, como?
Se eu já te esmaguei na palma da minha mão,
de onde sais tu agora, sombra do destino?
Sempre a atormentar-me os sonhos,
pronta nos lábios da selva,
neste tango descompassado.
Os pobres nunca encontram trabalho
Perdidos no rilhar da noite,
as veias apertadas de gordura e de querosene,
feridos na sombra da cidade.
(os poetas vivem sozinhos no espaço entre o eu e o nós.)
E este teu tango argentino,
que suplica sempre,
infinito, no comer da noite.
Saúl Villalobos
1 comment:
Talvez essa coisa de intangível é essa eternidade falsa que é o amor, por algo, por alguém.
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