Na Cidade dos Corvos
quem manda são os banqueiros
e os doutores, tecnocracia engravatada
e compadrio dos favores,
que se passeiam pelo Palácio da Justiça,
(onde se é tudo menos certo ou justo)
a legislarem entre a moral e a utilidade
das coisas e daquilo que engorda e dá poder.
O povo, esse já não sorve demagogia;
mas lutam engalfinhados como se fossem cães
a disputar um osso podre ou um naco de carne bolorenta.
Sentam-se em queixumes enquanto recuperam o fôlego.
No Bairro Alto, os poetas emborrachados de vinho
digladiam-se entre si por umas poucas edições
em lógica de mercado ou então por um subsídio cultural,
Enquanto houver vinho, pão e subsídios ninguém fará nada.
Mas, por vezes, quando a bruma fria trepa do rio
e se alonga nas hastes cor de tijolo da ponte 25 de Abril,
os exércitos dos Macacos Espaciais de Chuck Palahniuk
marcham sobre as ruas e pulverizam os monumentos com tinta,
e relembram-nos que o poder brota de baixo para cima.
Saúl Villalobos