riem-se de mim, as velhas varinas desdentadas,
sentadas no cais enlodaçado,
à espera do peixe que não vem
(não saberão elas que nunca mais virá?)
Fumam haxixe e cospem no chão,
e por cima delas já não há gaivotas.
Em Santa Apolónia o céu é sempre sangue-de-boi,
e os mendigos fedem a mijo e a vinho.
Embrulham-se nos jornais de ontem,
enquanto esperam as locomotivas que relincham carvão e fuligem,
rasgando a paisagem no seu trote feroz.
E lá em cima no Cabido, nas escadinhas da igreja da Sé,
Seu Jorge canta o mundo azul de David Bowie,
desafiando o corvejar e o esvoaçar dos corvos.
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