eles não quiseram saber dos subúrbios da cidade,
atulhados de sombras corcundas e de amarguras latejantes.
Calvário brutal de sangue e de suor,
onde marujos carcomidos pela labuta dos dias
bebem cerveja e naufragam de sonho em sonho,
de dia em dia, todos os dias;
e pedem a deus que os resgate da miséria da carne.
Estendem a mão, roubam. Reclamam pão para a boca,
Esperam. De mãos nos bolsos e olhares largados na calçada,
Alinham-se nas filas das esmolas estatais.
Querem, afinal, tão-só um pouco de luz que entretenha a escuridão da alma
porque os ossos e a pele já há muito que esqueceram o mar e o sal.
por vezes, os homens quase que choram de vergonha,
mas fazem-se de fortes e soluçam baixinho,
e logo voltam a ser homens:
apunhalam-se, bebem, peidam-se, cobiçam e amaldiçoam-se;
rosnam pragas entre dentes
e criam cães tinhosos.
Saúl Villalobos
Friday, October 13, 2006
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