Sentados à beira do verão
não vimos que tudo se desmoronava.
Assim, com palavras,
lentas e certeiras,
em promessas vãs de homens sujos.
Destroem-nos,
Destroem tudo aquilo que é bom em nós,
a nossa juventude e o nosso futuro.
Destróis-me, tu,
com a tua culpa amarga.
O peso dos teus fracassos nos meus ombros.
Destrói-me,
toda a incerteza de um povo,
e todo o sangue, suor e sofrimento
que foram necessários à História.
E destruo-me.
Destruo-me,
Destruo-me tanto.
Tudo desmoronava,
na televisão, em directo,
com palavras,
das nossas vidas, do mundo,
sempre, obstinadamente,
nos nossos sonhos.
Sentados à beira do verão
rimos uma última vez.
Saúl Villalobos
1 comment:
e tu passa...passa...passa......................
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