Thursday, April 26, 2007

Sentados à beira do verão

Sentados à beira do verão
não vimos que tudo se desmoronava.

Assim, com palavras,
lentas e certeiras,
em promessas vãs de homens sujos.

Destroem-nos,
Destroem tudo aquilo que é bom em nós,
a nossa juventude e o nosso futuro.

Destróis-me, tu,
com a tua culpa amarga.

O peso dos teus fracassos nos meus ombros.

Destrói-me,
toda a incerteza de um povo,
e todo o sangue, suor e sofrimento
que foram necessários à História.

E destruo-me.

Destruo-me,
Destruo-me tanto.

Tudo desmoronava,
na televisão, em directo,

com palavras,
das nossas vidas, do mundo,
sempre, obstinadamente,
nos nossos sonhos.

Sentados à beira do verão
rimos uma última vez.


Saúl Villalobos


1 comment:

Dinis Lapa said...

e tu passa...passa...passa......................