Na caverna do rapaz chamado Corvo
há um menino de quinze anos
atormentado pelos dramas da adolescência
e um homem cruel que esqueceu o que é ser menino.
Há uma aldeia de interior onde chovem alforrecas do céu,
perante o pasmo e o terror da população crente.
Há mãos toscas e brutas que se precipitam
sobre o corpo atordoado de uma mulher,
sob a ameaça de uma navalha covarde,
e o vertiginoso espasmo de um orgasmo porco.
Há o silêncio tenebroso que se abate sobre o capim,
e o soldado que, momentos depois, recolhe
as entranhas e os pedaços do melhor amigo
estraçalhado numa mina anti-pessoal.
Na caverna do rapaz chamado Corvo
há um laboratório de abortos deformados
que lançam guinchos tremendos das suas jaulas.
Há predadores autofágicos que devoram os seus próprios membros
enquanto se esvaem em esguichos de sangue morno.
E há soldados a marchar pelas ruas de uma cidade alemã:
o troar das suas botas negras simultaneamente soberbo,
simultaneamente terrível.
Na caverna do rapaz chamado Corvo
há um gatilho para accionar o fim do mundo.
Saúl Villalobos
Friday, March 16, 2007
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
4 comments:
porquê Saúl Villalobos?
este poema faz-me lembrar o labirinto do fauno. se não viste vai ver.
porquê Lucas Madrugada? ;)
ah! e se isso é um filme, aqui em Macau é difícil ... só se na China houver o DVD pirateado hehehe
e pronto, mais uma das tuas pausas
um abraço!
Post a Comment