Não pares coraçãozinho de papel, não pares
que a Primavera já lá vai, mas ainda pouco fiz;
Não pares, no teu bater ensopado de querosene:
carvão na boca, veneno no sangue e sonho na alma;
Bum-bop bum-bop rufa o teu tambor bum-bop,
e ainda que sujeitando esta casquinha de noz
aos mais encapelados mares, não pares
Meu coraçãozinho de papel relógio:
o teu vaivém é um acaso,
um prodígio da mecânica das coisas;
Tic-tac, tic-tac, tic-tac
gira a engrenagem na sua cadência regular,
empurrando as agulhas no mostrador,
mas às vezes o ponteiro dos segundos pára e deixa-se ficar.
Por isso, e ainda que eu feche os olhos,
não pares, coraçãozinho de papel, não pares!
Saúl Villalobos
Saturday, March 03, 2007
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2 comments:
futurista e bom.
este nasceu no crepúsculo dos sonhos, que é como quem diz aquele limbo em que ainda não adormecemos, mas também já não estamos bem acordados.
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